Gondry e seu cilindro infinito

24 novembro 2010 Postado por Stalo Comunicação

Certa vez, li que a criatividade é muito parecida com o mergulho, e como eu amo as duas coisas, achei bem interessante a comparação.

Se você for mergulhar e tiver receio dos quilômetros de água que te cerca, o medo não irá deixá-lo descer muito. Ficará bem perto da superfície, apreciando a natureza pouco virgem, de poucas novidades. Mas, se encarar o desafio, e deixar o lastro (cinto com pesos) fazer o seu trabalho, provavelmente sairá do ordinário. A temperatura cai, a pressão aumenta, seu corpo sente. É nítido que chegou o diferente, o novo. E ele assusta. Talvez por isso, nem todos estão dispostos a mergulhar fundo na criatividade. Muitas vezes, ver tudo lá de cima é mais confortável. E o produto criado através do padrão é mais próximo do senso comum, facilitando o seu entendimento.

Para aqueles que ainda acreditam que ser criativo é tirar, do nada, soluções diferentes para formatos já padronizados, descendo verticalmente, quase que sem respirar oceano abaixo, existem, ainda, muitas obras para serem admiradas. Algumas delas foram criadas pelo francês Michel Gondry.

Cineasta, Gondry foi diretor e corroteirista de Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (Oscar de Melhor Roteiro Original – 2005), mas seu trabalho é mais presente em clipes de grandes músicos. Bjork, Paul McCartney, Radiohead, The White Stripes, entre outros, já tiveram o prazer de entregar uma música nas mãos do gênio e deixá-lo mergulhar. E sempre surgem novidades e experimentações.

Conheci Michel Gondry através de seu trabalho em Star Guitar, música do The Chemical Brothers. Nesse clipe, temos o prazer de acompanhar Gondry no processo de concepção e, depois, ver o resultado. Vale muito a pena acompanhar todo o processo de produção. Se gostar, procure outras obras de Gondry e sinta o que é atingir o fundo da criatividade. Have a nice dive!





Tiago Motta

3 Response to "Gondry e seu cilindro infinito"

  1. Daiana Sampaio Says:

    É um paradoxo ao meu ver, tendo em vista que a criatividade está ligada a determinadas "limitações" impostas pelo mercado (leis, formatos, pontos de vista - vontade do cliente, cultura, visão de mundo). Ao atribuir o "medo" como estagnação do processo criativo, concordo sob o ponto de vista destas limitações que nos são impostas. Exemplo disso, compartilho uma frase que ouvi recentemente de um cliente; "você não tem que fazer o que acha certo, ou o que acha que deve ser feito. Deve fazer o que o seu cliente quer e da forma que ele deseja. Afinal, quem está pagando pra ser feito é ele".
    Abraços e sucesso!
    Daiana Sampaio

  2. Unknown Says:

    A criatividade na comunicação, mais precisamente na publicidade, sofre restrições e limitações, mas isso não é um problema ou um erro. Pelo contrário, o papel do criativo é trabalhar uma informação de forma rica, valorizar o espaço pago. Publicidade é informar. E fazer isso da melhor forma é o desafio. É claro que em outros produtos, como video arte e clipes, a possibilidade de se aproximar da arte, sem regras e limites, é muito maior, mas a comunicação também permite uma fuga completa dos "padrões", que para mim são as grandes armadilhas para os criativos. Sobre o comentário do seu cliente. Coitado. Está jogando dinheiro no lixo. Será que ele vai no hospital e também dá o próprio diagnóstico?
    Beijão e sucesso para você também.

  3. Daiana Sampaio Says:

    primeiramente quero corrigir a frase, é " É um paradoxo a meu ver."
    "Publicitário", você é ótimo! rsrs... o pior que sim (sobre ir ao hospital e se autodiagnosticar).
    Quanto a jogar dinheiro no lixo, infelizmente, este não é o único!

    Bjinho no coração.

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